Thelema e a O.T.O.

Muito se fala sobre Thelema. A maioria das afirmações ouvidas costumeiramente pode ser considerada meras especulações. A filosofia Thelêmica é mais que um simples lema, é uma filosofia de vida que deve ser experienciada, vivida. O significado de Thelema se prolonga ao significado de uma vida inteira. Somos indivíduos únicos e assim é a experiência desta filosofia para cada um de nós: Única.

Portanto, não pode haver um significado apenas, pois só podemos descrevê-lo somando e compartilhando cada ponto de vista diferente experimentado sob o ângulo Thelêmico.

A palavra Thelema significa Vontade em Grego e nos remete ao fito principal da vida de cada um de nós, a realização de nossa Verdadeira Vontade.

Mas o que é isso exatamente? Qual é a finalidade da realização da Verdadeira Vontade? Qual é o papel da O.T.O. nesse processo? O que é a O.T.O.?

Cada ser humano é um ser único, uma expressão da Vontade do Universo se manifestando fisicamente para conhecer algum aspecto sobre si mesmo. Temos a centelha divina dentro de nós, atuante em cada momento. O que significa que viemos à vida para aprender a obedecer à natureza divina, que é a nossa própria natureza. Viemos aprender a ver, ouvir, tocar, sentir e cheirar a nós mesmos. A vontade do Universo em se realizar, é a nossa Verdadeira Vontade ao nos realizarmos inteiramente. Ao nos movimentarmos em direção à exploração de cada pedacinho da nossa vivência, do nosso ser, estamos tomando consciência da nossa própria divindade, da perfeição de sermos imperfeitos.

Somos centelhas divinas encarnadas, somos infinitas combinações de corpo, mente, emoção e espírito, com o fito de nos unirmos ao Universo novamente, algum dia. Não existe uma manifestação que seja exatamente igual a outra, pois somos todos seres criativos. Cada um possui sua função dentro do sistema universal, assim como uma célula atua.

Nos tornarmos unos com este Universo significa nos tornar um com Deus, com o Deus que existe em nós, significa se autotransformar pela arte de conhecer a si mesmo.

Este conceito místico de realizar nossas Verdadeiras Vontades significa que devemos unificar todas as partes de nosso ser: corpo, mente e espírito, “encontrar Deus”, (que não está lá longe, mas sim “aqui-agora”, sendo nós mesmos) em nossas vidas através da união de nossas partes discordantes na atuação no dia-a-dia com o mundo e com as pessoas. Fazer a alquimia interna entre o feminino e masculino (passivo e ativo / negativo e positivo / o que recebe e o que dá) que existe em nós; trabalhar e elevar a Kundalini para que se abram todos nossos centros de energia (Chakras) até que esta atinja o Sahashara para o alcance do Samadhi… E etc.. Muitos métodos podem ser usados, cada pessoa devendo encontrar seu método próprio dentro daqueles.

Quantas vezes temos discordâncias entre o que pensamos, sentimos, acreditamos e fazemos? E quantas vezes não temos dúvidas em relação a como agir? Seguimos nossos instintos, nossa intuição, nossos sentimentos ou nosso intelecto?

Exatamente por estarmos conscientes do quanto tais discordâncias constituem um obstáculo para a manifestação total do nosso Ser, aquilo que verdadeiramente somos, a individualidade de nossos membros é estimulada, suas capacidades e poderes interiores, para que eles possam descobrir quem realmente são, discernindo o que realmente pertence às suas essências e o que existe neles que lhes foi imposto por fatores externos (educação, família, sociedade, moral, crenças, condicionamentos, medos, etc), escolhendo e juntando o que usar de tudo isso numa fórmula que é única e pertencente a cada um deles, e que deve caminhar em concordância consigo mesmo, de acordo com sua própria Vontade.

Existe sim muito preconceito (pré-conceitos) ao redor do mito do “culto das sombras”, que deveria ser analisado mais a fundo, pois tal “culto” nada mais é do que o nosso contato com as partes de nós mesmos que nos são desconhecidas, que ficam submersas em nós mesmos, partes estas que tememos por não conhecermos.

Para alcançarmos a liberdade e o tão estimado encontro com Deus, tal conhecimento é extremamente necessário. Tudo o que existe dentro de nós é sagrado e devemos perceber nossa sombra, acolhendo-a, para que seja enfim transmutada. Se nos recusamos a encontrar nosso lado mais obscuro, feio e sombrio, se o empurramos de volta com força para as profundezas do nosso inconsciente, este lado continuará manifestando-se, mas longe dos nossos olhos, com outros nomes e por outros canais. A força que fazemos para empurrar e não ver algo que existe em nós é a mesma força que esse aspecto usará para se manifestar e se fazer valer em nossas vidas. Portanto, quanto mais tentarmos esconder algo, mais esse algo aparecerá.

Sim, é um caminho bastante tortuoso, sendo necessário muita coragem e uma vontade persistente para nele permanecer. Talvez seja necessário muito mais do que isto. É aprender com cada passo que se dá ao caminharmos na vida. Somos testados a todo o momento, e passamos por verdadeiros ordálios ao lidar com as pessoas e a vida, pois é justamente através da própria vida e das observações sobre esta, autoconhecimento, relacionamentos e tudo o que foi citado anteriormente, que somos capazes de despertar o Deus que existe dentro de nós, de acordar e libertar nossa criança coroada. Afinal, este é o Eon de Hórus!

É no mundo e no contato com a vida diária que poderemos observar como nos expressamos, como lidamos com as situações, como reagimos, como nos sentimos perante certas ocasiões, como nosso corpo responde e reage aos nossos pensamentos e sentimentos, etc.. É exatamente aí que a Ordo Templi Orientis (O.T.O.) se encaixa no processo.

A O.T.O. é a organização mundial, também com sede no Brasil, que trabalha com os princípios da Lei de Thelema, que é a Lei do Novo Aeon, a Lei do desenvolvimento individual em Vida, Amor, Luz e Liberdade e que foi proferida pela entidade Aiwass, recebida através do Livro da Lei por Aleister Crowley, no ano de 1904, no Cairo, após uma série de trabalhos mágicos. A Lei de Thelema consta de ensinamentos Gnósticos, de Yoga e Magia Sexual, adaptados aos dias de hoje, ao momento pelo qual a humanidade transita agora. Nosso propósito mais elevado é assegurar a liberdade do indivíduo e seu avanço em luz, sabedoria, entendimento, conhecimento e poder através da beleza, coragem e vontade, na Fundação da Irmandade Universal.

Todos sabemos que o mundo passa por uma transição importante atualmente, onde novos rumos estão sendo tomados e novas percepções sobre a vida estão sendo descobertas por uma grande quantidade de pessoas. Com essa nova percepção, as pessoas vão sentindo necessidade de reformularem suas próprias vidas, de encontrarem novos significados.
Esse período de transição atual é o chamado “chegada do Novo Aeon”, o “Aeon de Hórus”, que é o Aeon da Criança Coroada, representado pelo Deus Hórus.

Na mitologia Egípcia, Hórus é o filho de Ísis e Osíris. Ele é fruto da união de duas polaridades, uma feminina e outra masculina. Este Aeon representa a junção dos Aeons anteriores, que eram representados por seus pais, respectivamente. Portanto, representa a União de nossas polaridades internas, a junção do feminino e masculino que existe dentro de cada um de nós, já anteriormente mencionada, sendo manifestada através da pureza de uma criança.

Existem muitas filosofias e sistemas que possuem este mesmo fito, todas verdadeiras e todas funcionam, como por exemplo o Yoga, o sistema iniciático da O.T.O. e outras. São métodos através do qual podemos chegar ao mesmo objetivo.

No entanto, cada indivíduo decide através de que método irá alcançar sua união com o Universo.

A O.T.O., através de seus Ritos Mágicos (abertos ao público em geral que deseje se iniciar nos três primeiros graus), possibilita o contato entre os símbolos que trazem a alquimia interna do Ser do Novo Aeon entre os candidatos que estiverem dispostos a trilhar o caminho Thelêmico.

Em nossas instruções, incluímos todas as matérias que possam fazer parte do que seria um “currículo das Ciências Ocultas”, inclusive o que há de melhor do simbolismo das religiões, sem nos entrelaçar a nenhuma delas, utilizando todas as ferramentas que possam nos ser úteis. Tudo isto para que o entendimento seja o mais completo possível para cada um, e as interpretações as mais ricas possíveis em diferenças de pontos de vista sendo complementadas uma a uma.

Mas é na compreensão de si mesmo, na convivência diária com as pessoas que nos cercam, no trabalho pela Ordem e principalmente no trabalho pela Lei de Thelema, que podemos vislumbrar a beleza e majestade de tal Lei. No nosso cotidiano, no nosso dia-a-dia, no movimento da vida, que é o movimento do universo.

A vida em si é um ensinamento maravilhoso, a aplicação prática de tudo o que lemos e aprendemos em teoria dentro da Ordem, mas não porque esse aprendizado venha embalado em livros e apostilas, mas porque aprendemos a viver e a conviver. Aprendemos sobre nossa condição humana. Por isso o social é tão importante.

Sem a aplicação de Thelema em nossas vidas, jamais saberemos o que essa filosofia realmente significa.