Karl Johannes Germer

(1885 – 1962)
Frater Saturnus
Frater Superior e Cabeça Externa da Ordem, Xº Ordo Templi Orientis
Xº Astrum Argentum
 Soberano Patriarca e Primaz da Igreja Católica Gnóstica
XXXIIIº Antigo e Aceito Rito Escocês


Karl Johannes Germer nasceu na cidade de Elberfeld, Alemanha, no dia 22 de janeiro de 1885, tendo duas irmãs e quatro irmãos. Sua infância se passou nesta cidade, onde, completou seus estudos. Em 1897 mudou-se para Paris, onde estudou durante três anos na Universidade Sourbonne. Entre os anos de 1900 e 1904 residiu na Inglaterra, voltando então para a Alemanha. Germer serviu no Exército do Reich a partir de 1908, tendo servido nas frentes belga, russa e francesa, chegando a receber as Cruzes de Ferro de Primeira e Segunda Classes, residindo, ao final da guerra em Viena (Áustria), tendo se casado, em abril de 1921 com a médica Marie Therese Franziska Karola, de quem veio a se divorciar em 1926.

No ano de 1923, vende sua casa em Viena e muda-se para Berlim, assumindo posição editorial à frente da Editora Barth, onde publicou a célebre série “Pansophia”, em conjunto com Otto Wilhelm Barth e Heinrich Tranker. Nestas edições foram publicadas várias obras raras de cunho esotérico e alquímico, conectadas ao Movimento Pansófico, sendo as mais famosas destas as traduções para o Alemão das “Lições ou Libreto de ABC Simples do Rosacrucianismo para Jovens Pupilos” de Franz Hartmann, várias obras de Aleister Crowley como, por exemplo, “Uma Estrela à Vista”, extratos do “Liber Thisarb”, a descrição de Crowley do Juramento do Abismo e outros trabalhos populares. Como resultado da série “Pansophia” deu-se o encontro entre Germer e Crowley, em 1925, na casa de Tranker. Neste mesmo ano, internou-se como paciente de Alfred Adler, na cidade de Viena. No ano seguinte, já divorciado de Marie Therese, casou-se com a milionária norte-americana Cora Eaton.

De 1925 a 1935 Germer foi inseparável companheiro de Crowley, estudando e residindo com ele, Martha Kuntzel e vários outros. Em 1929 seu trabalho culminou na criação da Thelema Publishing Co., em Leipzig. Os principais trabalhos publicados por essa editora foram o “Livro 4” (Partes I e II), “Um Relatório Sobre a Grande Fraternidade Branca”, “Ciência e Budismo”, “A Mensagem de Mestre Therion”, “Um Mundo Desperto”, “Bereshith”, “Um Comentário Sobre ‘A Voz do Silêncio’ de H. P. Blavatsky” e “As Três Escolas de Magia”.

Após o “Trabalho de Tunis”, Germer retornou em visita à Alemanha, em 1935, e foi aprisionado pela Gestapo por conta de seu envolvimento com a Maçonaria. Sua esposa, Cora, nos EUA e de Marta Kuntzel na Alemanha, buscaram apoio na tentativa de libertá-lo junto à embaixada estadunidense mas não conseguiram nada. Inicialmente Germer foi mantido na prisão de Alexanderplatz, em Berlim, onde passou por todos os horrores concebíveis pelos especialistas em tortura do governo nazista, que buscava o máximo possível de informações sobre a Maçonaria, a A∴A∴ e a O.T.O. Diz a lenda que passou seus seis meses de encarceramento na solitária recitando de cor os Livros Sagrados, primeiro do início ao fim e depois de trás para frente; este comportamento teria colocado-o em tal estado de iluminação que o permitiu resistir às torturas impassivelmente. Foi então enviado ao Campo de Concentração de Esterwegen, onde teria entrado em contato com seu Sagrado Anjo Guardião, o qual teria lhe contado como tudo aquilo iria se resolver. Dez meses depois, foi subitamente libertado, fugindo até a fronteira com a Bélgica. Lá, viveu até 10 de maio de 1944 em Bruxelas, quando foi capturado pela polícia belga e enviado à França. Novamente nas mãos do governo alemão, passou outros dez meses em um campo de concentração até ser definitivamente libertado, em junho de 1941. Esse período deu origem ao livro “Eu Fui Um Prisioneiro”.

Solto, migrou para os EUA, onde assumiu o cargo de Grande Tesoureiro Geral da O.T.O., trabalhando infatigavelmente em prol de Thelema e da liberdade do Ser Humano, libertando-o da tirania e da superstição Lá morreu também, em 1942, sua esposa Cora. Dois meses depois, Germer casou-se com a rica pianista Sasha Ernestine André, que o acompanharia até o fim de seus dias.

Em 1947, com a morte de Crowley, Germer vê-se indicado para o posto supremo da O.T.O.. A herança de Crowley incluía não apenas a liderança da Ordem mas também seu anel de sinete e suas cinzas, as quais deveriam ser depositadas aos pés de uma árvore centenária nos jardins da “Casa Branca” de Hempton. O cargo de O.H.O. não era desejo de Germer pois era um homem quieto, de poucas palavras e particularmente avesso a títulos e graus, e, sendo assim, relutou em aceitar tal posição. Porém respeitando o desejo de seu mestre e amigo, bem como acolhendo a posição de vários dos membros da Ordem os quais alegavam ser ele o único devidamente preparado por Crowley para a tarefa, Germer aceita o cargo de líder da O.T.O.

Ainda que tenha relutado em aceitar o cargo de liderança e que sempre mantivesse seu coração mais próximo da Astrum Argentum do que da Ordo Templi Orientis, Germer buscou levar o legado de Crowley adiante da melhor forma que pôde. A forma que encontrou de proteger a Ordem de qualquer problema decorrente da falta de seu homem-forte foi fechá-la em uma concha, não realizando iniciações externas e buscando dar melhor atenção ao testamento literário que lidava com os direitos autorais da obra escrita de Crowley.

Residindo na cidade de Jackson (EUA) desde 1956, veio a falecer de câncer de próstata em 25 de outubro de 1962. Seu testamento delegava todos os seus bens materiais à esposa, Sasha, e a liderança da O.T.O. “aos Cabeças da Ordem”, sendo porém que ficaria a cargo de Sasha e de F. Mellinger (então Grau IXº) executarem esta parte do testamento. Tal decisão juntamente com a incapacidade de Sasha em levar a cabo sua tarefa, gerou uma verdadeira corrida em busca da liderança da Ordem, mesmo por pessoas que haviam sido expulsas ou que jamais haviam sido membros. Porém Crowley, conhecendo intimamente Germer, já havia previsto essa situação e preparando uma contingência, na forma de uma carta enviada a Grady McMurtry autorizando-o a tomar o poder na Ordem caso uma situação dessas se instaurasse e colocasse a existência da O.T.O. em perigo.