Panteão Thelêmico

As Principais Divindades de Thelema

Thelema é uma filosofia panteísta. Sendo assim, o Universo é Divino e cada uma de suas expressões particulares também goza dessa natureza divina. Portanto, os deuses são encarados não de forma literal, mas como um princípio natural que tem correspondência no espírito humano. Consequentemente, o panteão thelêmico é essencialmente aberto, uma vez que toda e qualquer divindade, pertencente a qualquer mitologia, é admitida como uma maneira de exprimir um conceito ou um aspecto da realidade.

Também é normalmente considerado que cada indivíduo possui um Augoeides, ou Sagrado Anjo Guardião (SAG), que pode ser considerado como a voz do “Si Mesmo” de cada um – ou seu “Self”, termo que se usa para distingui–lo do Ego, que é nossa noção superficial de "eu", a porção consciente na qual enraizamos nossa identidade e através da qual, até então, travamos nossa relação com o mundo e com nossa própria interioridade. Um dos principais objetivos em Thelema é o que se chama de "Conhecimento e Conversação com o Sagrado Anjo Guardião", referente ao estado iniciático onde ocorre comunicação e comunhão entre o Adepto e sua Divindade, que é seu Mestre Interior. No que tange aos conceitos do pós–morte, a própria vida é considerada como contínua, sendo a morte parte integrante do todo. A vida termina para que a vida continue. O SAG, entretanto, é imortal, não estando submetido aos ciclos de vida e morte.

Respeitando os métodos e crenças particulares a cada indivíduo, os Thelemitas costumam se adequar Hermetismo tradicional na doutrina de que cada pessoa possui um Corpo de Luz, uma alma organizada em "camadas" anexas ao corpo físico. Tal como na doutrina budista, o Corpo de Luz é considerado como sendo passível de mentempsicose (reencarnação) após a morte do corpo físico. Pode–se considerar que Corpo de Luz evolui em sabedoria, consciência e poder espiritual através de tais ciclos de reencarnação, para aqueles que assim decidem proceder, até o ponto em que se encontra a Verdadeira Vontade daquele espírito e o indivíduo está capacitado a partir em direção à execução de sua Grande Obra, o objetivo máximo de sua existência, como parte do Todo representado por Nuit.

Para Thelema, toda ação que dirija o indivíduo para longe da descoberta e cumprimento desta sua Grande Obra pode ser considerada “magia negra”. Isto inclui atos de interferência e restrição ao exercício de outras pessoas descobrirem sua própria Vontade. A desarmonia e desequilíbrio criados por esse tipo de interferência criam respostas do universo; doutrina similar à concepção oriental de “Karma”.

No entanto, Thelema não postula a existência de bem ou mal absolutos. Portanto, não há nenhum paralelo com os conceitos judaico–cristãos de demônio ou Satã; a coisa mais próxima a isto seria uma ilustração da confusão, distração, ilusão e ignorância, definidas pelo nome “Choronzon”.

Algumas divindades, conceitos e personalidades aparecem com mais frequência na literatura thelêmica, constituindo sua teologia:

  • Nuit é a deusa egípcia preenchida de estrelas, cujo corpo forma a abóbada celeste, é a representação do Infinito em nível Macrocósmico. Sendo todo homem e toda mulher uma estrela, Nuit simboliza a união de toda a humanidade em nível espiritual. Costuma ser representada por um círculo.
  • Hadit, o globo solar alado de Hadit é a representação da individualidade, o infinito Microcósmico. Simboliza a Serpente de Luz que deve se elevar para se unir a Nuit e assim alcançar a plenitude, consumando a união dos opostos. É o Sol interior, a fonte de toda a luz e sabedoria. Costuma ser representado como um ponto.
  • Hórus é uma divindade dual, composta por Ra-Hoor-Khuit e Harpocrates. Ra-Hoor-Khuit é o deus de cabeça de Falcão, simbolizando o Ser Humano em sua porção ativa, masculina, material. Harpocrates é a criança nascida no Reino dos Mortos, representado como um menino nú com o dedo indicador direito sobre os lábios, representando o Ser Humano em sua porção silenciosa, passiva, feminina, ou como o “Bebê dentro do ovo”. Juntos eles integram a divindade solar Hórus, que representa o Ser Humano íntegro, divinizado.
  • Aiwass é o ser que ditou o Livro da Lei. Apresentou-se como “ministro de Hoor-paar-kraat”. Mais tarde Crowley o identificou como seu próprio Sagrado Anjo Guardião (SAG).
  • Ankh-af-na-khonsu (“aquele que mora em Khonsu”) foi um sacerdote do deus egípcio Mentu que viveu na cidade de Tebas na 25ª dinastia do Antigo Egito. Crowley assumiu essa identidade mágicka ao receber o Livro da Lei e assumir a condição de Profeta do Novo Aeon. A Estela da Revelação foi criada para comemorar a morte de Ankh-af-na-Khonsu, e em 1904 e.v fez parte do processo de recebimento do Livro da Lei.
  • O Profeta e sua Noiva referem-se à Aleister Crowley e Rose Kelly.
  • Osíris é o deus egípcio dos mortos, que teve seu corpo destruído e espalhado pelo mundo e depois reconstruído por sua esposa Ísis, representa o Ser Humano espiritualmente revivido. Considera-se que o Ser Humano é composto de várias partes (corpo, mente, espírito) que se encontram em estado de separação e desarmonia. Osíris simboliza, tal como em seu mito, a integração e harmonização destes componentes no Ser Humano Completo por força de um amor maior, culminando na sua Ressurreição.
  • Tahuti (Thoth) é o deus do conhecimento, da escrita, da linguagem e da música. É também o deus da Lua, da Magia e da Sabedoria Oculta. Ele é Hermes Trimegisto ou Mercúrio, o mensageiro e mediador dos deuses. Geralmente é representado com a cabeça de Ibis, cujo bico assemelha-se a uma lua crescente, ou como um babuíno, animal noturno com muitas semelhanças com a humanidade.
  • Asar e Isa, sendo Asar Osíris, “o Adorador”, e Isa sendo o nome muçulmano para Jesus, “o Sofredor”. No Livro da Lei, eles são definidos como sendo o mesmo.
  • Baphomet, mais do que uma divindade, é um dos maiores símbolos da Egrégora thelêmica. Sua imagem é um complexo glifo de simbolismos alquímicos, herméticos, astrológicos etc. Dentro da filosofia thelêmica, a imagem de Baphomet não possui qualquer correlação com o demônio, Satã ou similares. Ele representa a dinâmica contínua tanto da união quanto da separação, expressa na fórmula “Solve et Coagula. Baphomet une o que está acima com o que está abaixo, como apregoa o postulado hermético, realizando a totalidade das coisas.
  • , o nome deste deus grego significa literalmente “Tudo”. Pã representa a Natureza como um todo no seu aspecto mais primitivo e selvagem, sendo tanto criador quanto destruidor. Extremamente sexual, também representa a consecussão do religamento entre o racional e o instinto bestial presente em toda a criação.
  • To Mega Therion (A Grande Besta 666), ou “A Grande Besta Selvagem”, é um símbolo de masculinidade e impulso viril. O número 666, para o Ocultismo, não possui correlações com qualquer ideia de demônio ou mal, sendo na verdade o número do Sol. To Mega Therion é portanto um princípio arquetípico masculino, o Pai da Vida, de natureza solar. O motto To Mega Therion foi assumido por Aleister Crowley quando ele atingiu o grau de Magus na Ordem Astrum Argentum.
  • Babalon representa Yoni, o princípio feminino do Universo. Babalon é a geradora de todas as formas de vida, sendo a Grande Mãe, de cujo ventre todos vieram e para o qual todos retornarão. Também é conhecida como “Mulher Escarlate”, a “Grande Prostituta” e a “Mãe das Abominações”: ela é o Grande Mar e a Mãe Terra. Seu principal símbolo é o cálice, o Santo Graal. Em comunhão com o poder do Grande Feminino, muitas mulheres thelemitas expressam Babalon através de uma feminilidade enérgica, determinação e capacidade de comandar o mundo a sua volta.
  • Chaos é a força criativa universal cujo poder é irrestrito, a substância primordial da qual toda matéria manifestada é feita. É o Fogo da Força da Vida encontrado em cada um de nós.
  • Choronzon não representa um deus ou uma entidade, mas sim um estado caótico de dispersão arredia e improdutiva que é o vilão de qualquer Magista. É considerado que Choronzon seja o "habitante do Abismo", como consta no Liber 418 - A Visão e a Voz. Tal Abismo refere-se ao período iniciático e espiritual também conhecido como a Noite Negra da Alma, ilustrada como um deserto ao qual os homens devem se lançar e atravessar para poder, enfim, adquirir Entendimento e se tornarem deuses.