História da E.G.C.: Léo Taxil

Leo Taxil
Leo Taxil

Em 1881, um jovem anti–clericalista chamado Gabriel–Antoine Jogand–Pages foi feito maçon. Dentro de um ano, ele abandonou a Maçonaria, converteu–se ao Catolicismo e começou uma das mais notáveis campanhas de propaganda na história do Ocultismo. Sob o pseudônimo de Leo Taxil, Jogand publicou um número de livros e artigos onde ele “provava” que a Maçonaria, Rosacrucianismo, Martinismo e outras organizações similares eram completamente satânicas por natureza, e representavam uma séria ameaça à civilização européia cristã. De acordo com Taxil, todas essas organizações eram secretamente controladas pela misteriosa “Ordem do Palladium”, uma implacável, terrível e com um corpo extremamente secreto no coração da Maçonaria que adoraria o Demônio com rituais desumanos e receberia comandos diretamente do Príncipe da Escuridão. Os Paladistas eram alegadamente liderados por Albert Pike, Grande Soberano Comandante do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria, e uma Alta Sacerdotisa chamada Diana Vaughan. Miss Vaughan, uma descendente direta do Alquimista rosacruz Thomas Vaughan do séc. XVII, esteve em contato com Taxil. Seu coração evidentemente foi suavizado por um dos tantos sacrifícios de crianças, e ela secretamente escreveu a Taxil para perguntá–lo como ela poderia ser salva. Sua correspondência também revelava muitos segredos chocantes do diabólico mundo do círculo interno Maçônico: simbolismos luciferianos contidos em aparentes inocentes emblemas e frases; grotescos sacrifícios humanos e obscenas orgias fálicas conduzidas em câmaras escondidas de infernal adoração, encravadas na Rocha de Gibraltar; e terríveis conspirações para a dominação satânica do mundo.

Sendo desnecessário dizer, o trabalho de Jogand/Taxil tornou–se bastante popular. Rapidamente garantiram a ele a atenção e complacência da Igreja Católica Romana, e ele obteve até mesmo uma audiência oficial com o Papa Leão XII em 1887.

Diana Vaughan
Diana Vaughan

No fim das contas Miss Vaughan, a essa altura famosa mundialmente, decidiu de uma vez por todas renunciar a Satã e se converter ao Catolicismo. A Igreja antecipou avidamente sua introdução pública, que Jogand/Taxil agendou para 19 de abril de 1897. Para um salão de leitura lotado de clérigos católicos e maçons, Jogand revelou que Diana Vaughan não era ninguém além de sua secretária, e fora isso não havia por que apresentá–la, porque ela nunca tinha sido uma Alta Sacerdotisa dos Paladistas. Na verdade, nunca tinha havido uma Ordem do Palladium. Ele, Gabriel Jogand, fabricara toda a história como uma piada monumental às custas da Igreja. Ele permanecera um anti–clericalista como sempre. Os maçons presentes acharam essa revelação intensamente divertida. Os clérigos católicos não. Felizmente para os proprietários do salão de leitura, a polícia foi chamada antes de uma revolta geral eclodir.

O sucesso de Jogand se deveu, inicialmente, ao seu faro jornalístico e à credibilidade que ele dispunha como resultado de sua enorme erudição; de todo modo, outro fator significante para seu sucesso foi o astuto recrutamento de um número de colaboradores, de forma estratégica e altamente propositada.